Fantastipedia
Anjo-corredor

No estado de Alagoas, o anjo-corredor é um homem andarilho que leva um cajado e caminha sem nunca parar. Bate nas cancelas dos engenhos. Ao ouvir suas batidas, as crianças fogem apavoradas e as mães de família fecham as portas de casa.

Luís da Câmara Cascudo sugere uma provável convergência com o mito do judeu errante.

História[]

Na casa grande senhora do engenho, numa noite gélida e sombria de uma sexta-feira, às 3 h da manhã, a governanta do casarão acordou pensando ter ouvido barulhos nos engenhos. Foi até a cozinha, abriu a janela, olhou para o engenho, mas não viu nada suspeito, estava tudo na mais perfeita ordem, ela então, pensando ter tido um sonho, deu de ombros e voltou a dormir.

Minutos depois ela ouviu novamente o barulho com se fossem as cancelas do engenho batendo umas nas outras; se certificando de que ela não estava sonhando, ela correu até o quarto do capataz da fazenda e o acordou dizendo que tinha gente batendo as cancelas do engenho. O capataz se vestiu adequadamente de forma bem rápida, pegou sua espingarda e saiu em busca do invasor.

Ao chegar ao engenho, andando bem devagar, respirando baixinho para não manifestar sua presença, mas com o coração acelerado de adrenalina, o capataz foi surpreendido por um forte golpe de cajado bem no meio de sua cabeça; o golpe foi tão forte que o capataz caiu com a cabeça aberta no chão, dava pra ver até os seus miolos dentro de seu crânio.

Em seguida o homem misterioso que veste uma túnica suja e anda com um cajado, sobe calmamente as escadas do casarão e, levantando seu cajado, bate-o na porta abrindo-a imediatamente, fazendo um barulho que acordou a todos no casarão e, assim que iam surgindo na sua frente um a um, homem, mulher ou criança, o homem os matava a paulada, e assim fez com toda a família, incluindo a governanta e as outras duas empregadas da cozinha. Em seguida o homem saiu do casarão e sumiu no horizonte das trevas da noite pelas estradas de Alagoas e está por aí até hoje caminhando sem nunca parar.

Referências[]

  1. Luís da Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954
  2. Luís da Câmara Cascudo. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.384
  3. https://contosdehorroreterror.wordpress.com/2016/08/18/o-anjo-corredor/