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O Retorno de Astreia, de Salvator Rosa (1615-1673)

O Retorno de Astreia, de Salvator Rosa (1615-1673)

Astreia deixa a Terra, de Salvator Rosa (1615-1673)

Astreia deixa a Terra, de Salvator Rosa (1615-1673)

Constelação da Virgem na Uranografia de Johannes Hevelius (1690)

Constelação da Virgem na Uranografia de Johannes Hevelius (1690)

Na mitologia grega, Astreia (do grego Ἀστραῖα, Astraia, "Estelar") era uma deusa da justiça, inocência e pureza, associada à constelação da Virgem. Segundo os Fenômenos de Arato e a Astronômica de Higino, era filha de Astreu e Eos. Higino também a identifica com Dike, deusa da justiça, filha de Zeus e Têmis.

Etimologia[]

Ἀστραῖα, Astraia, é o adjetivo feminino substantivado ἁστραῖος, astraios, derivado de ἁστήρ, astêr, "astro". É mais encontrado no plural com valor de coletivo, ἄστρα, ástra, "astros, constelações". O singular ἄστρον não aparece em Homero e é raro em grego clássico. O elemento radical *ster é atestado em céltico, germânico e tocariano e o elemento *stel o é em avéstico, sânscrito e latim, como stella, "estrela" ou "estrela cadente".

Mitos[]

  • Segundo Arato e Ovídio, Astreia, enviada como representante dos deuses aos mortais na Idade de Ouro, com eles permaneceu até a Terceira Idade, a Idade do Bronze (em Os Trabalhos e os Dias de Hesíodo, isso se dá com Nêmesis). Fugindo da maldade da humanidade, ela subiu aos céus e transformou-se na constelação da Virgem.
  • Havia a esperança do retorno de Astreia e da Idade de Ouro, como indica uma frase da IV Écloga de Virgílio: Iam redit et virgo, redeunt Saturnia Regna (Eis que retorna também a Virgem; está de volta o reino de Saturno [Cronos].
  • Na Dionisíaca de Nonnus, a virgem Astreia, nutriz de todo o universo, senhora da Idade de Ouro, recebeu Béroe [a deusa da cidade de Beirute, famosa por seus tribunais] de sua mãe [Afrodite] nos seus braços, rindo, ainda um bebê, e alimentou-a em seu peito enquanto ela balbuciava sábias palavras da lei. Com seu leite virginal, ela fez rios de leis correrem para os lábios do bebê, e pingou na boca da menina o doce produto da abelha ática; ela espremeu o trabalho da abelha de muitas células, e misturou o favo loquaz em uma sábia taça. Se a menina com sede pedia algo de beber, ela dava a água falante de Apolo pítico, ou a água do Ilissos, que é inspirado na musa ática piério quando a as brisas piérias de Febo batem nas suas margens. Ela tomou das estrelas a dourada espiga de trigo [ou seja, a estrela Spica que a constelação da Virgem tem nas mãos] e a trançou em um colar que pôs em no pescoço da menina.

Astreia na Renascença[]

Durante o Renascimento europeu, Astreia foi associada ao espírito da época, de renovação geral da cultura. Na Inglaterra, foi poeticamente identificada na literatura com a figura e o papel da rainha Elizabeth I, como rainha virgem reinando sobre uma nova Idade de Ouro. Na Espanha, foi frequentemente identificada com o reinado de Filipe IV. Uma peça do conte de Villamediana e treze dramas de Calderón de la Barca introduzem um personagem chamado Astreia no primeiro plano de questões políticas e astrológicas.

Referências[]

  • Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 2000.
  • Theoi: Astraea [1]
  • Wikipedia (em inglês): Astraea (mythology) [2]